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Palavra do Diretor..

Uma visão não linear dos fatores da violência escolar contemporânea.

 

 

UMA VISÃO NÃO LINEAR DOS FATORES DA VIOLÊNCIA ESCOLAR CONTEMPORÂNEA
1.Consideração sintética preliminar
Inicialmente temos de apontar o que seja nossa premissa do que seja a visão não líneas dos fatores da violência. Significa dizer que desconsideramos que haja nexo de causalidade entre a pobreza e a motivação para o surto de atos violentos que acometem o espaço da escola em nosso cotidiano.
A conjuntura dos fatos consumados de violência perpetrados nas escolas é um problema sério vivenciado nos diversos paises de nosso globo e em escolas de níves de estratificação sócio-economica diversa, ou seja, encontramos atos de violência escolar tanto em escolas de periferia quanto em escolas localizadas em locais nobres e ainda, em escolas de frequência de pessoas com baixo poder aquisitivo e também em espaços escolares de pessoas da classe média e da classe com muito bom poder econômico.
Ainda existe um vasto campo de investigações para que sejam identificados os fatores que fundamentam esses atos violentos e que comprometem, significativamente, o processo educativo. O que podemos afirmar é que o assunto é de considerável complexidade e que pode ser considerado como um problema de ordem pública. E como dito anteriormente, este tópico se amplia por todo o espaço territorial do globo terrestre.
Utilizamos uma passagem da doutrina encontrada em Sposito (apud Carvalho org.):  Uma descrição das rotinas de dois colégios da periferia da cidade de Lyon na França introduz o leitor no universo da violência de forma incontestável: mulheres que já não ousam dar aula com a porta fechada. O conselheiro de orientação espancado, carro deteriorado por trás dos portões de estacionamento fechados a cadeados, penetração constante na área do estabelecimento de pessoas estranhas a ele, na maioria das vezes ex-alunos que vinham acertar contas com colegas ou ex-professores, inclusive dentro das salas de aula (Peralva,1996).
Assim sendo, fica demonstrado o que expressamos como uma visão não linear dos fatores do nexo causal dessa violência escolar, ou seja, existem diversos e diversificados fatores sociais, econômicos, políticos, étnicos, e multiculturais que em conjunto e com a ajuda da omissão de uma política publica educacional firme e concreta, corroboram, sobremaneira, para a ocorrência de tal quadro caótico.
2- Fatores intervenientes da violência escolar
2.1- A Pessoa
A finalidade de abordagem deste tema é simplesmente de cunho ético-pedagógico, ou seja, na realidade é dizer que esse termo significa a estrutura dotada de emoções subjetivas e que compõem a  vida .
Essa  pessoa  resulta de um processo de desenvolvimento com diversificados estágios de formações em sua personalidade, caráter, compreensão das coisas e com reflexos em sua criatividade, seu comportamento social, sua expressividade de convivência na sociedade que podem se revestir em atos de boa ou de má conduta, porém, que o levaram a assumir as responsabilidades com o meio onde manterá suas relações com o meio onde for conviver.
A pessoa é dotada de um quantum de psiquê, ou seja, de um contínuo fluir de estados psíquicos e psicológicos cujas dimensões (espaço e tempo) e referenciais são do tipo qualitativos e assim, distinguíveis a ponto de individualizar momentos do continuum social desse individuo, ou seja, seus estados emocionais, sentimentos, comportamentos e os graus de tensão do viver, isso se denomina de esfera dotada de intencionalidade dos atos de vontade.
Agora vale destacarmos que o conhecer é um ato psíquico livre, e como tal pressupõe, sem qualquer dúvida, um motivo intencional mas não significa e determina uma ação efetiva., pois, para que isso se materialize, torna-se necessário um impulso, o que já adentra-se no campo do querer.
Uma vez completada a estruturação da pessoa, cabe a conexão entre ela e a comunidade,como sabemos o homem é um ser social e vive, convive e habita nela. Sendo a pessoa dona de seus  sentidos de vida , negando-os, aceitando-os ou não, aperfeiçoando-os ou destruindo-os, a comunicabilidade dessa pessoa com a comunidade se estrutura de forma sã na medida em que ambas se compõem e se complementam ou, em sentido contrário, se auto-destroem, rompendo os laços de convivência e de bem-estar.
Utilizando o pensamento de Parsons, esse assegura que a sociedade está alicerçada sob uma tríade sociológica: a cultura, o social e a personalidade. No alicerce cultural através da socialização são internalizados valores simbólicos de juízos tais como, o bem e o mau, o justo e o injusto, o certo e errado que farão as pessoas desempenharem seu papel em e na sociedade, neste papel está incluso a educação formal. O alicerce social, como decorrência do papel advindo do cultural, onde as pessoas seriam o atores, estes seriam  levados a um desempenho na conformidade com o retorno daquilo que mais lhe beneficiaria por cada papel assumido (um  palco ) em cada circunstância vivida.Por sua vez, o alicerce da personalidade é individual, está tão somente  e pertencente ao individuo, é seu sistema orgânico (biológico). Assim sendo, para Parsons o homem utiliza uma estruturação para caracterizar aquilo que o sociólogo denominou de evolucionismo, ou seja os fatores múltipos da mudanças sociais. Ainda este mesmo autor reporta-se a teoria funcionalista voltada para a educação, sendo que especifica a estratificação social, onde o ator compõe um vetor orientado por objetivos, e estes seriam as  recompensas  a serem alcançadas (realizações, status quo, riqueza, sabedoria, status ocupacional, renda, etc.), estas recompensas motivariam diferentes  ätores  sociais para que haja diferentes desempenho de diversificados papéis e diferentes tipos de recompensas, isto caracterizaria o funcionalismo social. Ficou conhecida esta conjuntura como variáveis-padrão.
Ainda corroborando a importância de focalizarmos o ser como a gênese da ação cognitva de toda transformação, encontramos em Emile Durkheim que, apesar e ser partidário do positivismo, compondo uma sociedade unida por uma cultura comum, com valores patrióticos, depositava na educação, o instrumento de transmissão de valores morais para a perpetuação dessa sociedade. Durkheim(apud Gomes):  a ação educacional exercida pelas gerações adultas sobre as gerações que não se encontram ainda preparadas para a vida social tem como objeto suscitar e desenvolver na criança, certo número de estados físicos, intelectuais e morais, reclamados pela sociedade política no seu conjunto e pelo meio especial a que a criança, particularmente, se destine.
Agora também vale destacarmos que se Durkheim convivesse em nossa atualidade, trajetória dos séculos XX e XXI, veria que a educação vive muito afastada por mecanismos de sociedades impessoais do que aquela imaginada por ele, ou seja, a sociedade formal.Entretanto, concordamos, como diversos autores concordam que, o valor de seus fundamentos, sua visão da educação como instrumento de transformação ainda permanece válido e atuarial.

 

2.2- A educação e a construção da cidadania
Tendo-se a educação como praxis transformadora de culturas e ainda, como marco de uma concepção dialética do conhecimento, traz a baila ao questionamento de uma educação estabelecida por uma sociedade de classes. Paulo Freire já manifestava contrariamente ao caráter de reprodução (reprodutivista) educacional do poder ao poder de classes dominantes, como encontramos tal manifesto freiriano em TORRES (1998):  la educación sistemática se constituye para reproducir el poder en el poder.
Compreendemos ser a educação um instrumento de modernização, recebendo, diretamente, influências psicológicas e sociológicas, sendo ela capaz de transformar pensamentos, valores e comportamentos, bastando para tal ser desenvolvida de forma criativa, inovadora de forma a romper os paradigmas tidos como insuplantáveis.
Corroboramos com o pensamento freiriano de que a educação toma um caráter de ação política na formação de uma nova sociedade, uma sociedade libertadora de vícios do passado, onde a educação era a repetição constante metodológica daquilo que foi feito no passado.
A vinculação direta entre a ação educativa e a formação cidadã reside, justamente, no processo de democratização do ensino crítico-reflexivo da realidade posta e pressuposta, isto na defesa de direitos de igualdade, onde o educando não é mais um elemento passivo, apenas receptor das informações, mas sim, um sujeito pró-ativo, em busca de transformações sociais, econômicas, culturais e políticas.
Sabemos que a conjuntura que envolve a violência nas escolas, suas causas e seus motivos basilares não nasceram  da noite para o dia , é um resultado que vem sendo acumulado e determinado por condições históricas, sócio-politico-econômicas e que se refletem com graus diferentes advindo de algumas situações já identificadas como se fosse um tipo de ïnventariação , tais como:  maus tratos pelos pais, utilizacão infantil para formação de renda familiar, abuso sexual dos pais e exploração sexual (utilização de meninas adolescentes na prostituição) como complemento de rendada família, ingestão de bebidas alcoólicas, uso de entorpecentes pelos pais, e outros

 

Neste aparato todo sempre se questiona o papel do Estado como agente fomentador das Políticas Públicas de segurança, saúde, educação, emprego e renda, infra-estrutura básica (saneamento) São aspectos que realmente contribuem para o desvirtuamento das condutas de crianças, jovens s e adolescentes em idade de formação da personalidade e menores de idade perante a lei.
Logicamente que dois fatores agravam a situação, são eles a impunidade e o alto nível da corrupção da máquina governamental, fomentada e mantida com a ajuda da iniciativa particular. Isto se torna ainda mais problemático tendo em vista a própria ausência e inércia do Estado em alguns setores primordiais da sociedade.
Consultando a bibliografia utilizada na presente monografia, mais especificamente na Revisa dos SEMESP – Sindicato das Mantenedoras do Ensino Superior do Estado de ao Paulo (SP- Brasil) encontramos em uma reportagem a qual faz referência ao NEV – Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo (NEV/USP), onde à debatidos as diversas formas e violência, inclusive existindo um grupo com uma publicação específica, livro Violência na Escola – um guia para Pais e Professores (Imprensa Oficial).

 

O que achamos bastante interesse foi a colocação feita entre o termo conflito e violência. Nesta reportagem encontramos a seguinte passagem que transcreve o depoimento de um dos pesquisadores do NEV:  ........ a partir dalí iniciamos uma pesquisa em escolas para entender o papel e as possibilidades de cada ator na superação das violências. [...] a escola é, por natureza, um lugar de conflitos, porque é um espaço de convivência entre diferentes. Ali estão representadas e postas em contato variadas etnias, classes, culturas, idades, sexos, e nessas condições o conflito sempre aparece.[...] Vale ressaltar que conflito não é sinônimo de violência Conflito é um embate, quase natural, entre dois seres humanos e pode se manifesta no plano das idéias, dos valores, etc. Violência é o que acontece quando o conflito não e superado, é a continuação, o prolongamento e o aprofundamento daquele embate inicial. Em ouras palavras, quando o conflito é mediado e superado não vira violência.

 

Nesta vertente, e por concordarmos com essa separação nítida dos termos conflito e violência, entendemos então que a ação deva ser sempre preventiva, ou seja, o foco primordial deve ser a observação imediata na mediação dos conflitos, pois, caso se chegue a uma acordo, que não precisa ser harmônico, mas sim consensual, estaria evitada a concretização da violência.
Indiscutivelmente em nosso cotidiano, houve a perda de parâmetros de valores, uma banalização da violência, uma verdadeiro comércio do terror. Podemos observar que o  que vende e dá mais audiência  são as notícias-crime.
Alguns pontos são básicos para determinar a disciplina e como decorrência podem se elementos que interferem nas causas da violência escolar. Queremos dizer com isso que, se não houver a devida ordem, hierarquia e disciplina jamais poderá existir um caminho de coexistência pacífica entre os agentes sociais. Vejamos as seguintes considerações que devemos refletir como elementos intervenientes na violência escolar, vejamos:

 

a)                              A educação como fato compulsório faz do ambiente da escola um lugar que não é prazeroso para crianças e adolescentes, pois, por suas próprias vontades não iriam para lá;
b)                              Por apresentar variados tipos de desigualdades (sociais, intelectuais, comportamentais, ideológicas, etc.) gera discordância e conflitos as vezes muito acirrados.
c)                              A adolescência tem por sua própria natureza evolutiva, nesta fase, a motivação de rebeldia e a vontade de testar os limites de tolerância aceitável na sua interatividade com o meio onde está inserido.
d)                              As condições de severidade ou de muita liberdade causam frustrações em objetivos pré-existentes ou que são interrompidos, desencadeando ações e reações negativas por parte dos jovens.
e)                               O uso indevido, inadequado ou incoerente do poder de autoridade também se constitui elemento desestabilizador da ordem no ambiente escolar.
f)                               O uso do controle deve ser bem dimensionado e estabelecido no ambiente escolar, pois não se pode esquecer da complexidade desse ambiente.

 

 
Um fator que também deve ser considerado como elemento interveniente na conjuntura da violência escolar é o papel do educador, pois, vem a ser o centro das atenções em sala de aula, constitui o elo de ligação direto das interações sociais que ocorrem no interior da própria escola e indiretamente daquelas que são vivenciadas pelos alunos quando não estão na escola, haja vista que o professor exerce o poder simbólico,  é um formador de opinião, principalmente quando estamos falando em grupos de adolescentes.
A educação sempre serviu como balizamento para afirmar que a mesma era instrumento, suficiente e necessário, para estabelecer a ordem de tratamento da indisciplina e da violência nas sociedades como um todo e em grupos sociais específicos. Entretanto esse domínio do poder simbólico, através do qual se expressava as relações entre o professor e o aluno e entre os próprios alunos tinha seus limites adstritos ao âmbito físico da própria escola, entretanto, hodiernamente, este espaço estendeu-se para os limites do  além-muro , atingiu o entorno das unidades escolares e massificou a delinq uência do alunos através, principalmente, do tráfico de entorpecentes.
Essa violência que se instalou nas escolas e estendeu-se em seu entorno comprometem, substancialmente, os serviços prestados a comunidade em geral, inclusive, chegam a inverter a relação de poder, ou seja, os  chefes do tráfico de entorpecentes passam a comandar as condutas aceitáveis e a determinar quais condutas devam ser adotadas pela comunidade onde se encontram. Isto decore do próprio poder que essa  organização  conquista através de seu poder e capital e do poder de autoridade conquistado de forma persuasiva junto a população e, justamente, nos  nichos de omissão do Estado e das ausência de políticas publicas do governo.
3.CONCLUSÃO
Na presente dissertação tratamos da violência perpetrada na escola e seus possíveis nexos de causalidade. Sem qualquer dúvida esta é uma situação real vivenciada pela sociedade e que entendemos tratar-se de um problema de ordem pública, onde, m dos principais fatores negligenciais é a ausência e a omissão do Estado e do Governo que o representa ativamente perante a sociedade.
Quando o cerne da questão envolve o ser humano e, nisto incluído o ponto o fulcral na educação, estamos tratando de um vasto e complexo conjunto de elementos com trocas bem difíceis e variadas, haja vista, envolverem aspectos sutis e sensíveis da personalidade e do comportamento humano e suas relações sociais. Tais relações comportamentais caracterizam-se por pontos convergentes e divergentes, em decorrência de inúmeros fatores e por diversos motivos, uns notados de forma objetiva e outros subjetivos, que são individualizados em virtude da personalidade, caráter, noções de ética e moral, as convicções de cada ser humano ou, simplesmente, decorrem da própria vontade de se estabelecer os chamados  ruídos  nas comunicações.
Nessas conjunturas de multiplexidades e multiculturalidades, as situações individuais e grupais encontram diferentes níveis de comportamentos externalizados de diferentes formas, justamente, nos diversos tipos de relações sociais, entre elas a escola. Nesta apresenta-se a inserção da criança, prolonga-se a do adolescente e culmina na formação do jovem-adulto, na ocasião do ensino superior. Por todos esses níveis/estágios a pessoa busca a superação do envolvimento parental para tentar apropriar-se de recursos próprios e singulares de  enfrentamento  dos percalços de seu cotidiano em geral Portanto, a família e a escola são parametrizadores e referenciais decisivos para a constituição da personalidade e do caráter do ser sociabilizável e socializado.
Ao deparar-se com a violência escolar, fato que não depende somente da relação família-escola, mas sim de outras variáveis, tais como, a falta de uma Política Pública definida e próspera para a Educação, o jovem não encontra a devida base de realidades sociais que incentivem sua transformação, haja vista que o próprio processo articulado somente pro projeções abstratas ( planos de governo) não ocorre por cumulatividade mas sim por uma série de interrupções advinda de jogos de poder, de interresses de grupos, de disputas de poder simbólico e de autoridade posta e supostas (bastidores de corrupção) e, massiçamente, pela mãos de agentes que movimentam produtos ilícitos, principalmente o tráfico de entorpecentes..
Podemos verificar que na doutrina consultada iremos encontrar profissionais da educação desmotivados com elementos que envolvem desde a infra-estrutura para o desenvolvimento de suas tarefas como a desvalorização de seu trabalho, que no sentido finalístico do mesmo quer no sentido remuneratório que os mesmos recebem por seu trabalho.
Como vimos no corpo da presente monografia a omissão do Estado e a falta de uma política de governo (seus valores, , representações,símbolos, ações, articulações, etc.) que impulsionam ou elegem ao segundo plano aquilo que deveria ser um a primeira ação efetiva para a sociedade.
Nosso entendimento conclusivo é que, a sociedade efetivamente organizada, utilizando-se do texto constitucional, deveria mobilizar-se e, incorporando seus dispositivos constitucionais, fazer valer as questões gerais da educação, sendo esta tida como cultura (lato sensu) onde interferiria diretamente nas políticas publicas do meio ambiente, da segurança pública, da infância e da adolescência, do trabalho e, especificamente, das políticas educacionais - em seus níveis básico, médio e superior. Assim,  empreenderia atitudes reais no sentido de resgatar os direitos e garantias individuais e coletivas conquistadas a  duras penas  no transcorrer da evolução histórica das civilizações, transformando o atual cenário que vislumbramos em nossa vida cotidiana, tanto na formação do homem para o trabalho, como no exercício de sua cidadania.
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FONTE: Fabel

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